domingo, 12 de julho de 2009

Temaki

E lá vem ele de novo, sem jeito, sem nome, sem nada...jeito quieto, meio tímido, sem graça..reduzido! Foi assim que apareceu, naquela noite onde as nossas vidas tomavam sentidos opostos. Descia pela Augusta, e via tantas coisas, mas a mais impressionante foi você. Parece que foi ontem, e nem parece que doeu tanto assim...engraçado né? Mas eu consegui me lembrar de cada episódio da novela, das lágrimas derramadas e das palavras ouvidas...
Talvez ele tenha se esquecido, porque disse tantas coisas, que não faziam muito sentido...mas preferiu tentar..quem sabe dessa vez conseguiria alguma coisa além do que esperava.
Mas não conseguiu, e voltou ainda mais pequeno e sozinho, num caminho escuro,...deu pena de ver, mas a escolha tinha sido essa...e quem poderia ajudá-lo? Ela parecia não poder, talvez não querer...não sei muito bem..só sei que o melhor da noite foram os temakis!!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Além de só gostar,
além de só sentir,
além de só querer...

Além das nossas vidas,
além dos desencontros,
além das lembranças deixadas...

Além de todos os sonhos,
além das expectativas,
além das noites mal dormidas e faladas...

Além dos nossos desejos,
Além dos planos, além de tudo...

simplesmente por só querer, tanto quanto se pode ter.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Suburbia, 1986

Mais uma dedicatória!!
Essa vai pra mim, que ontem estive de encontro com meu passado....
Quem disse que todo domingo tem que ter Faustão...o meu teve recordação..e isso só foi possível porque esteve do meu lado a pessoa que mais contribuiu pras minhas grandes marcas na lembrança.
Você se lembra dos nossos intervalos? E de como ficávamos cantando na sala, caminhando todos os dias pra padaria..ou então cabular só pra comer bolacha trakinas na porta da igreja...e nos achávamos suuuuuuuuuper malandronas???? De quando você foi apanhar de skate, e das nossas tentativas de conciliar os moralismos com as amizades insanas....de fugir da mãe da Gaby, de tomar vinho com morango na Festa das Nações e disputar pelo coração do galã mexicano Victor Augusto!!!
Depois veio o ano seguinte, você foi embora pro "país do reggae" como você costumava falar, e eu chorei, chorei...ouvindo Milton Nascimento, pensando que havia perdido pra sempre sua companhia...
Nesse meio tempo, mudei muito....conheci mais pessoas, fiz ainda mais loucuras...e quando você voltou, parecia que o tempo não tinha passado, porque ainda estávamos iguais...evoluindo e se encantando com a magia dos lugares que íamos, juntas ou sozinhas, mas que de alguma forma nos ligavam.
E ontem foi maravilhoso curtir um bom show do seu lado de novo, foi uma sensação incrível, ver que o tempo passou...e ela continua intácta!!
Estou ensaiando, pra que a nossa vida seja mais do que as melodias que a gente tem escrito no papel...
"Você já sentiu como se todas as direções nos levassem ao mesmo lugar? Como seria bom se nossas vidas brilhassem para sempre, como aquela música perfeita...!"

domingo, 5 de julho de 2009

Diretamente de Urano


"Aquelas frases filosóficas, foram só pra te impressionar, pra te passar essa ilusão de intelectual... na verdade eu ainda nem sei se acredito nos valores que me ensinaram, quanto mais em frases feitas e opiniões formadas! Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desarrumar o penteado, tirar a maquiagem... quero te mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço, por isso uso todos esses artifícios. É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia, de que você encontre em mim uma série de imperfeições. Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível, de mulher forte com punhos de aço... No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento. Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho algum e você terá que me amar muito para suportar essa minha impotência. impotência que muitos negam diante das cameras, nas frases bonitas do orkut, nas fotos coloridas e selecionadas... Vai, deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... A convicção de independência afetiva? É tudo balela! Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho... Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões... um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo... Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade. Administrei minha liberdade. Tomei aviões, tomei whisky... troquei a lâmpada, abri sozinha o zíper do vestido... decidi o meu destino com tanta segurança! Agora, cá estou eu, vinte e tantos anos e toda atrapalhada, não sei direito o que fazer para agradar. Confesso que isso me cansa um pouco. Queria mesmo era falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria, como se eu nunca tivesse temido nada. Queria te falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive, do meu primeiro dia de aula... queria falar dessas coisas mais elementares, e te levar na casa dos meus pais, te mostrar meu álbum de fotos, ah, queria te mostrar minha primeira bicicleta. Ela ainda existe! Queria te mostrar as árvores que eu plantei, e todas essas coisas que são tão importantes pra mim e tão insignificantes aos outros. Ah, você queria falar alguma coisa? Está bem! Antes, só mais uma coisinha: estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim, que você saia à francesa desta história, e eu tenha que recolocar minha máscara, e me reinventar outra vez, para ser um estereótipo orkutiano..."