domingo, 5 de julho de 2009

Diretamente de Urano


"Aquelas frases filosóficas, foram só pra te impressionar, pra te passar essa ilusão de intelectual... na verdade eu ainda nem sei se acredito nos valores que me ensinaram, quanto mais em frases feitas e opiniões formadas! Senta aí, vai! Deixa eu tirar os sapatos, desarrumar o penteado, tirar a maquiagem... quero te mostrar que assim de perto não sou tão bonita quanto pareço, por isso uso todos esses artifícios. É que no fundo tenho um medo terrível de que você me ache feia, de que você encontre em mim uma série de imperfeições. Sabe, não quero mais usar essa máscara de mulher inatingível, de mulher forte com punhos de aço... No íntimo me sinto uma pequena ave indefesa, leve demais para enfrentar o vento. Olha pra mim, às vezes minha intimidade não tem brilho algum e você terá que me amar muito para suportar essa minha impotência. impotência que muitos negam diante das cameras, nas frases bonitas do orkut, nas fotos coloridas e selecionadas... Vai, deixa eu tirar o casaco, tirar o cansaço... A convicção de independência afetiva? É tudo balela! Eu queria mesmo era dividir a cama, a mesa, o banho... Queria dividir os sentimentos, os sonhos, as ilusões... um pedaço de torta, uma xícara de café, algum segredo... Quantas vezes me inventei e até me convenci da minha identidade. Administrei minha liberdade. Tomei aviões, tomei whisky... troquei a lâmpada, abri sozinha o zíper do vestido... decidi o meu destino com tanta segurança! Agora, cá estou eu, vinte e tantos anos e toda atrapalhada, não sei direito o que fazer para agradar. Confesso que isso me cansa um pouco. Queria mesmo era falar de todos os meus medos, "dos seus medos?" você diria, como se eu nunca tivesse temido nada. Queria te falar das minhas marcas de infância, dos animais que tive, do meu primeiro dia de aula... queria falar dessas coisas mais elementares, e te levar na casa dos meus pais, te mostrar meu álbum de fotos, ah, queria te mostrar minha primeira bicicleta. Ela ainda existe! Queria te mostrar as árvores que eu plantei, e todas essas coisas que são tão importantes pra mim e tão insignificantes aos outros. Ah, você queria falar alguma coisa? Está bem! Antes, só mais uma coisinha: estou morrendo de medo que você saia desta cena antes de mim, que você saia à francesa desta história, e eu tenha que recolocar minha máscara, e me reinventar outra vez, para ser um estereótipo orkutiano..."


Um comentário:

  1. Viu?!
    escrevi isso vendo duendes!
    minha sensibilidade artítisca se aflora qnd essas coisas acontecem, por isso, não se reprima, não se reprima!
    impressionante, revela o verdadeiro sentimento sobre o q se passa comigo e com a maioria das mulheres inseguras, porém honestas em determinados momentos!
    depois te mando mais uns textos meus.
    amo vc xuxuzão, vamos jogar botcha hj? quem sabe a gente não fica rica e compra uma casa rosa em urano!

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