domingo, 21 de novembro de 2010

Em outubro

Ah como eu queria, bem aqui e agora.
Sentir falta do excesso.
Sabe quando dá aquela angústia por já ter demais?
Era isso o que eu queria.
Não me prender no espaço, no vazio.
Não me encher da agonia, do descaso.
Não me armar do fracasso, nem da solidão.
Seria mais ou menos como antes.
E a gente poderia se olhar nos olhos e reconhecer às velhas canções.
Seria sempre assim, e toda hora.
Juntando tudo o que tinha sido no nosso tempo, e agora ainda mais.
E a gente poderia entender que o tempo muda, e nos arremessa diante do que a gente sempre buscou.

Ah como eu queria, que fosse logo e para sempre.
Sentir seu jeito diferente.
Sabe quando dá aquele estalo no peito?
Era isso que eu queria.
Não me deitar chamando seu nome, sua presença.
Não me embriagar dos sonhos, do medo.
Não me afastar do seu jeito, de que jeito?
Seria mais ou menos como agora.
E a gente poderia fazer de conta que sempre foi assim.
Não me castigar mais pelo espaço das nossas vidas, nem por essa dura rotina.
Juntando toda nossa vontade de querer.
E a gente poderia entender que tudo muda, e a vida nos coloca de frente daquilo que sempre amou.

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